sábado, 16 de outubro de 2010

Um Tal Barão do Quintino.



UM TAL BARÃO DOS QUINTINO




[Poema de Marcelo Donizeti de Queiroz]




O Barão foi ímpar até na hora de se ir,


Às vezes chegava sem avisar,


Mas também se foi sem muito alarde


Foi-se num piscar de olhos...


Só que deixou maltratados nossos corações,


Pela falta que sentiremos dele,


Pela saudade que nos causará


E viveremos vida afora!...


Agora a tristeza inundou de vez minh'alma,


Mas deixa estar, há de passar...


Queria ter certeza!


Tenho já quase certeza!...


Ele não gostaria de nos ver triste...


Talvez não seja hora de nos entristecermos,


Mas de nos alegrarmos, tendo a certeza


De que ele voou para a morada dos anjos,


Lá nas grimpas da eternidade...


Ele não gostava de tristeza,


Esbanjava sorrisos para todos os lados...


Alegria pura!


Simplicidade de alma!


Espírito impecável!


Foi um Morais de berço dourado,


E um Caetano de Almeida obstinado...


Amava nossa Carmo como poucos,


Nunca abandonou suas raízes...


Existiu com os amigos,


Dos amigos,


E para os amigos...


Fifi que o diga...


Viveu sua vida sem medo,


Talvez precisasse se cuidar mais...


Quem sabe?!... Assim imagino...


Se exausto qualquer lugar servia


Para se encostar e descansar...


Vezes tantas estivemos caminhando


Afora, pela mesma estrada...


A Ouro Preto fui seguindo seus passos,


Lá nos tornamos colegas de classes,


Lá nos tornamos cúmplices,


Lá nos tornamos parceiros,


Lá nos tornamos irmãos até de profissão...


Técnicos nos fizemos juntos na Coteca,


Nos formamos para a mineração


Da mineração nos fizemos,


Da mineração vivemos...


Na Escola de Minas, nos medimos iguais


O vestibular comemoramos juntos,


Até nos Quintinos fomos brindar vitórias...


Recebemos os trotes juntos...


Nos bancos da Escolinha,


Sofremos e nos rejubilamos juntos...


Muitas noites passamos ferrando


Para pesadas provas...


E é claro,


Não poderia ser diferente,


Nos graduamos juntos...


Muitos goles tomamos juntos,


Muitas baladas, muitas festas,


Mas também juntos muitos estudos e concentrações...


Ele ali, Darinho amigão do coração,


Sempre prestando apoio em tudo...


Queria que gravássemos horas de histórias


Para ficarem para a posteridade,


Mas não deu tempo,


Sem muito aviso,


Viajou antes do combinado!...


Tem problema não,


Vou contar para nós dois


Muitas daquelas histórias.


Pode deixar!...


Eu prometo!!...


Quantos causos narramos,


Incontáveis, eu acho...


Quão bacanas nossas viagem pro Carmo


No Buggy do Carlão,


Ríamos até doerem nossas faces,


Às vezes de coisas bobas,


Mas ríamos, ríamos e ríamos...


Ríamos de tudo e de todos,


Até mesmo quando acabou a gasolina do Buggy,


De madrugada e a caminho do Carmo...


No Carmo era só farra...


Assim era o Barão, risonho, todo alegria,


Exilado na sua linguagem simples da alma


E no amor aos amigos...


Feito um passarinho,


Era o Darinho...


Darinho, aquele monumental Darinho!


Seu sorriso denunciador,


De gato risonho, sinto,


Casualmente aqui e agora,


Parece que acompanhar-me-á,


Infinitamente em qualquer lugar e hora!


Percebo que só terei sossego mesmo,


Após grafar-lhe essas parcas linhas.


Quando de nosso jubileu de prata,


Na Escola de Minas, disse-me


Que se sentia orgulhoso


Por ter me incentivado a estudar


Na nossa barroca Vila Rica.


Quando nos encontrávamos,


Era alegria pura!...


Pegava a felicidade pela orelha


E dela abusava, tinha esse dom...


Sabia falar dos amigos...


Quão bom era falar com ele


E sentir seu furor fraterno!



Ô barbudo fedasunha!


Agora entendo


Porque tinha de esbanjar tanta euforia


No Causos e Violas...


Queria abraçar o mundo


E beijar tudo e todos...


Encantou-nos a todos


Com o brilho de sua aura


De sua esfuziante alegria...


Estava era se despedindo,


Né seu safado de uma figa!


Vamos aceitar, não sem dor,


Sua precoce partida,


Mas poderia bem ter nos dado


Pelo menos um sinal,


Mas qual, o amaremos


Talvez ainda mais...


Vá com Deus!


Saiba viver na eternidade


Toda felicidade


Como a qual viveu entre nós


E esteja certo que deixou aqui,


Dentro de nossos corações


Plantada a sua semente de graça...


Obrigado pela sua existência!...


Mariana, 15 de outubro de 2010.