quinta-feira, 21 de julho de 2011

O Papa Negro: Resumo e Adaptação.

O Papa Negro

(Raríssimo e intrigante livro de Ernesto Mezzabota).

Sexo, aborto, crimes, intrigas e luta pelo poder envolvendo o Vaticano e a Igreja Católica é a essência desse raríssimo livro que narra trama de Ignácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, atualmente denominada Ordem dos Jesuítas.

Os acontecimentos têm como cenário a Europa do século XVI, quando o mundo era dominado pela Igreja Católica que se empunha acima do Estado, dividindo com esse o poder: um detendo o poder atemporal e o outro o poder sobre as coisas e pessoas da Terra.

A história envolve os lendários, misteriosos e valentes guerreiros que constituíam a Ordem dos Cavaleiros Templários, organização que concentrava a maior parte dos recursos econômicos da época, razão pela qual dominavam o mercado financeiro, e atuavam como fiéis e aliados dos reis e da igreja.

A Ordem dos Cavaleiros Templários veio a ser dispersada em 1314, com o assassinato de todos os seus lideres por ordem do Rei Felipe IV da França, que preferiu eliminar seus credores a pagar-lhes a altíssima soma que lhes devia, como veremos a seguir.

Mas, ao longo dos trezentos anos que se seguiram, os remanescentes dos Cavaleiros Templários voltaram a se articular secretamente e, aos poucos, congregando homens de bem em suas oficinas de trabalho, especialmente marceneiros e pedreiros, que eram as categorias mais sábias e que detinham o conhecimento e o domínio da ciência, da matemática e da geometria, se reestruturaram, dando origem à Maçonaria contemporânea.

Os Templários também foram os inventores do cheque ao portador, da nota promissória, da duplicata, além de todas ordens de pagamento ainda usadas como reserva de valor e garantia do patrimônio, com aceitação fora da região de origem, uma vez que a Ordem dos Templários mantinha representações idôneas e confiáveis desde o oriente, passando pela Terra Santa, até o extremo oeste da Europa. Aqueles documentos surgiram como solução para os viajantes que se aventuravam em longos percursos através das perigosas estradas europeias daquela época, já que se levassem consigo os próprios pertences, fatalmente seriam vítimas de saqueadores e assassinos de toda ordem. Esses papéis vieram, mais tarde, dar origem à própria moeda, como meio de pagamento.

Os homens mais poderosos da Terra, o Papa Clemente V e o Rei da França, Felipe IV, o Belo, temiam a força da irmandade dos Templários. Mas, por outro lado, desejavam se apossar do tesouro que escondiam em suas Lojas (templos secretos). Além disso, causava-lhes inveja o fato dos Mestres Templários serem os guardiões de todo os conhecimentos científicos e gnósticos da época, e só os difundirem, exclusivamente, entre os iniciados.

Ao todo haviam sete grandes líderes, chamados de Sereníssimos Grão Mestres, dentre os quais se destacavam as figuras de Ignacio de Loyola e Jean Jacques Demolay. O primeiro era o mais culto e requintado e o segundo era o mais rústico, porém o mais disposto a lutar pelas tradições da Ordem e, por essa razão, exercia uma espécie de liderança sobre os líderes.

Ignacio de Loyola, tomado por um sentimento de ganância, houve por bem trair seus companheiros, aliando-se ao Papa e ao Rei para invadir os templos, saquear os tesouros e desarticular a estrutura da Ordem, na busca de vantagens pessoais.

A resistência veio por parte de Demolay, que recolheu os filhos e sobrinhos dos Templários, escondendo-os e assegurando a transmissão do conhecimento hermético para as gerações futuras. Porém, pagou com a própria vida, sendo preso, processado com base em acusações falsas, torturado e queimado vivo.

De acordo com tradições ancestrais, numa sexta-feira, 13 de outubro de 1307, o Rei Felipe IV, que se autodenominava "o Belo" - porém era muito mais arrogante e prepotente do que bonito - temendo que o processo forjado contra Demolay lhe saísse do controle e pudesse frustar seu o intuito de dar calote nos Templários a qualquer custo, mandou atacar e massacrar indiscriminadamente todos os seus demais líderes, dando cabo à organização que, por mais de duzentos anos, havia sido o símbolo da defesa da ordem, da moral, da religiosidade e dos bons costumes por toda a Europa e Oriente Médio.

Diante de tamanho terror todas as possibilidades de defesa do acusado sucumbiram e, em 13 de agosto de 1313 o tribunal constituído pelo mesmo Rei Felipe IV em conluio com o ambicioso e vaidoso Papa Clemente V, obteve seu intento, condenando à morte o último Grão Mestre dos Cavaleiros Templários e seu líder maior, Jacques de Molay.

Segundo a lenda, em 18 de março de 1314, momentos antes de morrer na fogueira, Demolay desafiou seus algozes a prestarem contas diante de Deus, gritando do alto do pelourinho:
"Intimo-os a comparecer perante o tribunal de Deus, em um ano, para receberem o justo castigo. Malditos! Malditos! Todos malditos até a 13ª geração de vossas raças! Rei Felipe, saiba que apenas um passo separa o prestígio triunfante de Versalhes do ultrajante derramamento de seu sangue infame."

Quarenta dias depois o Papa Clemente V faleceu acometido por uma violenta diarréia que causou um inédito desvario pelos corredores do Palácio Apostólico. Neste mesmo ano o rei Felipe caiu do cavalo após ter a visão de uma cruz templária em chamas no meio da mata e, em consequência, sofreu um derrame fulminante que fez irromper sangue por várias partes da sua cabeça. Nos anos seguintes, os três filhos do rei Felipe, que seriam seus sucessores no trono, faleceram, encerrando a linhagem direta de 300 anos dos reis Capetianos (Capet).
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Ignácio de Loyola, por sua vez, em troca do sangue dos irmãos Templários, exigiu para si, a criação e domínio de uma ordem dentro da igreja, à qual chamou de Ordem dos Jesuítas, a cujos membros ensinou supostos segredos de alquimia, hipnose e invisibilidade, dentre outros não menos abstratos.

Assim, os Jesuítas constituíram fortuna vendendo indulgências (promessas de salvação para o reino dos céus) aos cristãos católicos, em troca de informações confidenciais sobre a vida íntima dos componentes da corte.

Seus planos de domínio amplo e irrestrito incluíam subjugar os adultos e poderosos com chantagens e ameaças calcadas em informações sigilosas e escândalos íntimos obtidos por meio dos confessionários e, por outro lado, dominar as mentes das gerações vindouras, fundando escolas que assegurariam a alienação intelectual das crianças. Essa foi a primeira motivação que levou a Ordem dos Jesuítas a criar tantos colégios e universidade que até hoje predominam no mundo ocidental – felizmente sob um nova filosofia pedagógica.

Assim, em pouco tempo, a Ordem dos Jesuítas tinha formado uma rede de informações invejável, convertendo essas informações em riqueza e poder, a ponto de submeter a eles até o próprio Papa, que passou a ter que se sujeitar a ordens e chantagens de Ignácio de Loyola, o qual passou a ser conhecido como Papa Negro.

Ignácio se aliou a uma família muito importante na época, formada pelos mais vis assassinos, os Borgias,  liderados pela multiviúva Bórgia, que matava seus amantes, maridos ou namorados com o veneno que transportava acondicionado no interior de um anel, constituído de um pó conhecido como Curara, que até hoje é muito utilizado pelos pigmeus africanos para matar ou paralisar inimigos ou animais durante as caçadas.

Após cada crime, Inácio pessoalmente providenciava álibis e defendia a condessa Bórgia, de quem era íntimo e aliado secreto, evitando que a mesma fosse julgada e condenada. Todo o desenrolar de uma trama, em uma fina mistura épica, num cenário de muita violência, traição, vinditas, armadilhas, envenenamentos, levam o leitor de "O Papa Negro" a conhecer a verdadeira Igreja Católica daquela época e seu jogo de poder, bem como a resistência dos nobres Cavaleiros Templários para resgatar e manter sua cultura, seus conhecimentos e segredos.

Ignácio de Loyola, imperou por toda a Europa Medieval e impôs a ordem dos Jesuítas, alastrando a sua senda de terror pelo mundo todo, inclusive no Novo Mundo (continente americano), contrapondo e subjugando cardeais, bispos, príncipes e reis.

A ordem dos Jesuítas foi a semente embrionária da prelazia papal conhecida como Opus Dei, que agora se destaca no livro e filme Código da Vinci. Conhecendo este livro, o leitor entendera muito melhor vários conceitos que são hoje discutidos, porem pouco conhecidos.