quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Minha primeira vez em Parnaíba


Depois de viajar a tarde inteira de ônibus, saindo de Teresina, desembarquei em Parnaíba no início de uma promissora noite de sexta feira, tremendo de nervoso pela expectativa de ter que me apresentar para familiares dela, mas quando desci, cadê ela? Rodei pra lá e pra cá desesperado, tentando ligar, mas o celular dela estava fora de área!
Os primeiros minutos foram terríveis, mas as horas que se sucederam foram de matar! Com vontade de sumir, aterrorizado pela iminência de ter feito uma baita viagem frustrada e, enfim, ter embarcado numa canoa furada, consultei o horário do próximo ônibus de volta para Teresina, que só saía na manhã seguinte.
Cerca de três horas depois ela chega, não menos desesperada do que eu, explicando que, quando se preparava para sair do Hospital onde trabalhava, no Ceará, a cerca de 80 km de Parnaíba, deu entrada uma senhora em coma, infartada!  
Não havia nenhum médico presente e a única ambulância do Hospital não estava disponível. Sem conseguir encontrar os médicos e negociando para que o Hospital de Sobral mandasse uma ambulância e médico, ela não teve como sair e nem fazer contato, pois o celular não funcionava dentro do Hospital.
Tudo esclarecido, fomos para uma pizzaria e depois para um dos fins de semana mais inesquecíveis da minha vida, quando ela me levou pra conhecer alguns dos belos resorts do magnífico litoral do Piauí!

Leia também: Gramado, dois anos depois.

Gramado, três anos depois

Ela surgiu na minha vida assim, como quem aparece do nada, como fazem os anjos e as fadas!
A imagem do seu rostinho, aparecendo como amiga no Facebook de um colega do meu trabalho, por algumas vezes já havia me despertado a curiosidade. Não tanto pelo conteúdo do seu próprio perfil quase inativo, com raras postagens falando de cachorrinhos, flores e algumas viagens; mas sobretudo pela expressão de doçura e aquele sorriso enigmático revelados nas suas poucas fotos, contrastando com uma elegante postura aristocrática e ao mesmo tempo discreta.
Temendo ser inconveniente, numa atitude atípica, arrisquei pedir que ela me adicionasse como amigo e esperei! Esperei até desistir!... E nada!
Cerca de três ou quatro meses depois, me surpreendi com várias curtidas nas minhas postagens, mostrando que ela não só havia resolvido aceitar, mas também conferiu quem era o intrometido!
Com todo o respeito que ela me inspirava, tratei logo de agradecer, deixando clara a minha intenção de simples amizade. E, nas poucas mensagens trocadas, as suas respostas objetivas e excessivamente econômicas nas palavras, não conseguiram disfarçar a sua inteligência e o jeitinho sóbrio, gentil, didático, enfim, encantador!
Mas, semanas depois, ela sumiu de novo!
O tempo passou! Vários dias, meses talvez!... E durante uma viagem que fiz à Europa, ela voltou a dar sinal de vida, me desejando boa viagem e que eu aproveitasse o passeio.
Assim que voltei, ainda mais curioso, retomamos um contato tímido, quando eu comecei a perceber o quanto ela era maravilhosa, descobrindo a cada dia mais belezas, doçura e tantos outros atributos que me encantavam. 
Depois de algum tempo, passamos a nos falar por telefone com alguma frequência e, aos poucos, uma confiança mútua começou a existir entre nós, fazendo com que aquela amizade evoluísse na forma de um sentimento cada vez mais consolidado pela cumplicidade, pela confiança e pela admiração que nos unia, apesar da distância que nos separava e tornava quase impossível que algum dia a gente viesse a se conhecer pessoalmente.
Mas, por obra do destino, as minhas férias de janeiro de 2014 que, até então, estavam fadadas ao ostracismo, foram contempladas com uma inusitada e imperdível promoção de viagem para Porto Alegre, permitindo coincidir esse destino com uma viagem dela, programada há tempos para assistir à formatura de uma amiga.
Assim, no dia 10 de janeiro de 2014, no aeroporto de Porto Alegre, pela primeira vez na vida eu pude sentir o toque e o cheiro inebriante de sua pele! E naquele momento trêmulo, dominados pela ansiedade e pelo nervosismo, nenhum de nós pode evitar um longo e emocionado abraço, do qual minha alma nunca mais se desgrudou.
Depois de algumas horas perambulando juntos pela cidade, caminhando sem rumo, tomando sorvete na rua e depois de muitas risadas sem motivo e sem razão, eu descobri que tudo havia mudado na minha vida! Inclusive os planos de ficar apenas quatro dias em Porto Alegre, que se transformaram numa aventura sem compromisso, sem hora nem dia pra acabar e sem destino programado!
Tanto que no dia seguinte almoçávamos em Gramado, na Serra Gaúcha, onde tudo começou de fato. Dois dias depois estávamos em Buenos Aires andando pelas ruas, nos divertindo e nos conhecendo.
Sem nenhuma programação prévia, comemoramos juntos o aniversário dela, que começou com um almoço no centro histórico da cidade, com um Champagne Rosé oferecido pelo restaurante, indo terminar quase ao amanhecer do dia seguinte, numa boate em Recoleta!
Depois dessa viagem o meu acervo de lembranças e saudades nunca mais voltaria a ser como antes! A partir daí, vivemos um ano separados por quase dois mil quilômetros, nos encontrando a cada três ou quatro semanas. Mas, durante todo esse tempo, o meu pensamento permaneceu fixo num só foco! Ela!
Enquanto ela mantinha o seu trabalho como Gerente de Enfermagem num Hospital a 80 km de sua cidade, eu continuava em Brasília conciliando o trabalho, a saudade e um planejamento mágico que, nem sei como, possibilitava a gente se ver periodicamente. Ainda que para isso eu tivesse que me inscrever em corridas de rua de 10 km ou  Meias Maratonas, ora no Rio de Janeiro, ora em Fortaleza. Ainda que ambos tivéssemos que virar a noite no percurso de ida e volta de ônibus entre Teresina e Parnaíba ou entre Fortaleza e Chaval, apenas para passarmos dois dias juntos e depois voltar!

Pode até parecer que foram dias difíceis. Mas não! Nos desdobramos, enfrentamos trancos e barrancos, mas tudo valeu muito a pena e fez história, como na primeira vez que fui a Parnaíba e ela não apareceu pra me pegar na rodoviária (Leia aqui: Minha primeira vez em Parnaíba)!
Foram vários episódios que provocaram ansiedades, preocupações e inseguranças momentâneas, mas que hoje são motivo de riso.  
Por isso, ao completar três anos de quando tudo começou, voltamos novamente a Gramado para celebrar e renovar tudo o que for possível ser renovado e, também, pra pedir a Deus que nos permita muitos e muitos anos juntos pra que eu possa retribuir um pouco de tudo o que ela significa pra mim.
Te amo, minha princesa! Quero viver com você pra sempre! 
Veja Como eu pedi a sua mão no Barco Pirata - Video 
Fotos Facebook

sábado, 12 de dezembro de 2015

Meus amigos de infância

Quando meus amigos atuais falam das suas lembranças de infância, eu costumo ficar ouvindo, curioso, sobre como eles tinham amiguinhos interessantes, e como curtiram brincadeiras divertidas nas escolinhas infantis, nos parquinhos, às vezes em viagens fabulosas, matinês de cinema, etc.
Na verdade, eu nunca contei muita coisa, não por não ter tido amigos de infância, tampouco por não ter o que contar; mas porque os amigos da minha infância eram tão diferentes que poderiam não ser interessantes. Também porque as minhas aventuras e os meus cenários poderiam não ter a menor graça, diante de tanta coisa legal que se conta.

Porém, essa imagem publicada no Jornal AfricaNews, da Suécia, me remeteu à minha infância e me trouxe lembranças muito nítidas dos amigos que eu tive, das nossas brincadeiras e das nossas aventuras nos córregos, brejos e capoeiras. Por isso, achei que valeria a pena comentar aqui.
Meus amigos eram muito parecidos com estes da foto. As roupas e o estilo eram iguais, inclusive essa expressão meio encabulada, normal quando chegava gente da cidade na casa do meu pai. E a maioria deles eram pretinhos assim, como o Donizete e o Tuca, filhos do Joaquim Moema, o seu primo, filho do Binaia, cujo nome eu não me lembro, mas que era a cara desse garoto da direita. Tinha também o Tõe e o Dorvalino do Grigório, além do Geraldin e o Donizete, filhos da Nega Julieta, estes dois últimos não eram tão pretinhos, mas de pele bem escura, meio rosada.
Porém, havia também alguns branquinhos, como o Édi e o Zéti, filhos do Rubens, o Nenén e o João, filhos da Narcisa. Estes eram tão brancos que a gente costumava implicar com eles, chamando de Branquelos Desbotados, Zói Azedo e Coalhada Azeda.
Foram muitos amigos, com os quais eu vivi aventuras inesquecíveis e dos quais eu tenho saudade! Brincávamos de boizinhos de barro e de jatobá, competição de jogar Juá, pescaria de Bagre e Cambeba nos brejos e muitas outras farras que já nem existem mais. A Fazenda Barreiro, na região de Carmo do Paranaíba - MG, era o cenário de tantos mistérios, aventuras e histórias inacreditáveis que, se fossem detalhadas, daria pra escrever um livro.
Meus amigos eram filhos de parceiros agrícolas do meu pai, que residiam e trabalhavam na fazenda, como meeiros. Essa meninada toda, além dos primos que vinham de fazendas vizinhas, se juntavam nos fins de semana e minha mãe tinha paciência e carinho pra todos, Nunca vi tanta paciência e tanto carinho.


sábado, 26 de setembro de 2015

A história de Adão e Eva.

Depois de fazer o céu, a terra, o mar, as plantas e os animais, Deus resolveu fazer uma experiência com gente! Então, pegou no chão um punhado de barro, dividiu em partes iguais e com uma metade fez um homem, com a outra metade fez uma mulher. Chamou o homem de Adão e a mulher de Lilith e deixou o casal num lugar muito bacana, que Deus deu o nome de Jardim do Éden.
Três dias depois, a Lilith já estava se encrencando com o Adão! Disse que ele estava se achando, que ela já estava cansada dessa vida de ficar sempre por baixo e que queria ser a chefe da casa e ponto final! Toda cheia de pose, avisou que se ele não concordasse, ia se mandar!  Adão ficou meio triste, mas pensou:
- Quem sabe, com o tempo ela conserta!
Que nada! Na semana seguinte a vizinhança já comentava que, ao invés de ir pra faculdade, a Lilith pulava a cerca do Éden e ia comprar sapatos e bolsas, além de dar umas escapadinhas nas baladas, onde enchia a cara de caipivodca e se esbaldava com os carinhas metidos a anjos da noite.
Adão ficou ainda mais triste e tentou discutir a relação com a Lilith. Mas a coisa só piorou! Ela veio com um monte de mentiras esfarrapadas, chutou o pau da barraca e se mandou de vez para o outro lado com a galera, deixando o Adão sozinho.
Deus vendo Adão naquela situação, se ofereceu pra fazer outra mulher. Tirou uma de suas costelas - avisando que não se preocupasse pois nasceria outra no lugar - e com essa costela fez uma linda mulher, tranquila, companheira, carinhosa, dedicada, honesta e trabalhadora, à qual Deus deu o nome de Eva.
A história poderia ter acabado aqui com o clássico "E viveram felizes para sempre"! Mas, quem disse que a Lilith deu sossego! Ela que a esta altura andava meio largada, pois os tais anjos já estavam atrás de outras novinhas, vendo a felicidade do Adão e da Eva, resolveu infernizar pra valer. Começou a fazer intrigas e fofocas, forjava denúncias falsas contra Adão e contra a Eva, postava insinuações levianas no Facebook e tentava, por todos os meios, perturbar os dois. Mas eles não estavam nem aí! Continuavam felizes no Jardim do Éden, que estava ainda mais bonito, pois a Eva, muito caprichosa, tinha feito uns arranjos de Orquídeas de várias cores que colocou por todos os cantos!
Incansável, a Lilith resolveu dar uma cartada definitiva. Fantasiou-se de cobra e ficou em cima da árvore proibida provocando a Eva:
- Oi, linda! Venha, querida! Experimente o sabor do fruto proibido! É uma delícia! Você vai A-DO-RAAAAR!
Mas a Eva, desconfiada daquela cobra com jeito de piriguete, não se deixou levar pelo lero-lero! Foi comentar com o Adão sobre aquela estranha em cima do pau e os dois riram muito. Depois foram pro Mercadão comprar maçã, uva, camarão, arroz arbóreo e uma boa garrafa de Cabernet Souvignon pra comemorar o feriadão, só os dois juntinhos!
E o que foi feito da Lilith?
Bem! Diz a lenda que ela continua revoltada até hoje, infernizando as mulheres honestas, bem amadas e felizes. Faz de tudo pra acabar com os casamentos bem sucedidos, seduzindo os maridos e espalhando fofocas, usando, inclusive, os seus vários perfis fakes mantidos nas redes sociais.
Quando os casais bem casados têm filhos, dizem que ela costuma assombrar as crianças à noite em seus quartos, provocando pesadelos ou transformando os bonecos delas em duendes que fazem careta, só pra causar o choro e interromper o afeto e a troca de carícias dos pais.
Por causa disso, essa Lilith infeliz sempre foi associada às trevas e à escuridão. Durante o dia ela se esconde no lado escuro da lua, onde tem residências num castelo horroroso, desde que foi enxotada da vizinhança do Jardim do Éden.
E todos os casais que têm criança pequena devem manter sempre uma placa sobre o berço do filho com as palavras "Lullaby", que significa "LILITH, VÁ EMBORA DAQUI", como forma de espantar a perversa.
É por isso que a música de ninar mais conhecida no mundo tem justamente este nome "Lullaby".


* Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, MBA em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Direito Administrativo Disciplinar, pesquisador autodidata em Antropologia e HIstória da música, Meio-Maratonista, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, M∴M.
...
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lilith

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Jardim vazio

O que houve aqui depois que o sol se pôs?
E que deixou o seu jardim tão vazio?

Aqui havia um jardineiro que cuidava tão bem.
Molhava a terra com suas lágrimas
E fazia nascer flores
E sonhos!

E agora acabou tudo!...
Eu chamei!
Bati na porta o dia inteiro, mas ninguém abriu.
- Hei, meninos! Vem, vamos brincar no seu jardim vazio?

Como é que um mero inseto pôde causar tanto estrago?
E agora? Pra que serve este jardim vazio, se nada cresce mais
Estou surpreso, impotente e estonteado!
Onde foi parar o jardineiro
Que molhava a terra com suas lágrimas
E fazia nascer flores
E fantasias?

Ele dizia:
"As raízes são fortes e não morrem!"
Então, vamos gritar! Quem sabe ele ouve!
O jardineiro que cuidava tão bem
E molhava o chão com suas lágrimas.

Ou só nos restará rezar para que a chuva caia
E em cada gota que cair, vão ouvir a sua voz.
- Hei, meninos! Vem, vamos brincar no seu jardim vazio?
E, assim, quem sabe voltará a nascer flores
E esperança...
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                            (Inspirado em Empty Garden, de Elton John)

domingo, 24 de maio de 2015

Os Carmas do Amadeu Vitorino

Quando comentam com o Amadeu Vitorino sobre processos de separação e relacionamentos mal sucedidos, ele conta resumidamente a sua história: 

- "Com separações e relacionamentos mal sucedidos, infelizmente eu tenho experiência.
Por isso, eu costumo resumir a minha história pra conformar as pessoas, pois comigo foram duas experiências sucessivas, cada qual trazendo mais sofrimento e mais perversidade ANTES, DURANTE e DEPOIS!
Foi chifre ANTES da separação! Intriga e difamação DURANTE e Processos Judiciais DEPOIS!
E, ao contrário do que a maioria pensa, no meu caso o galinha não era o homem! Eu nunca traí! Pelo contrário, em ambos os casos eu dediquei lealdade, honestidade e fidelidade. Mas mesmo assim elas se esbaldaram!
No primeiro caso, enquanto eu ralava no trabalho pra proporcionar vida melhor à minha família, inclusive me mudando para outro estado, morrendo de saudade das minhas filhas, a infeliz vivia na gandaia com tudo o que era malandro, inclusive com gente da minha própria família e, ainda, dilapidando tudo o que eu tentava construir. Foram mais de treze anos de chifre.
Consegui me livrar, mas não aprendi a lição e ainda embarquei em outra!
Nessa segunda vez, quando comecei a perceber, fiquei pasmo com o tamanho da safadeza! A infeliz era uma galinha consagrada nos meios por onde andava! Era desprovida de qualquer pudor e, pior, com anuência dos pais que, no final, ainda tentaram tirar proveito da situação e se apropriar do que não lhes era devido!
Descobri, inclusive, que ela fingia estudar! Eu paguei uma das melhores faculdades do estado durante sete anos e meio e, no final, constatei que ela não tinha se formado. Muito sintomático, pois ao longo desses anos todos, a perversa se aprontava e se enfeitava feito uma piriguete de boate e saía religiosamente no  horário, levando alguns livros e cadernos debaixo do braço. Mas quando eu comecei a achar alguns comportamentos estranhos, infelizmente muito tardiamente, fui lá na faculdade e cadê a safada? Constatei que ela mal aparecia na sala de aula. Os próprios colegas da turma em que ela estava matriculada, nem sabiam de quem se tratava! Na verdade, além da algumas amigas suspeitas, também alguns professores compartilhavam e desfrutavam do convívio solidário dela!
Sem nunca ter trabalhado na vida, atualmente ela vive usurpando a pensão dos meus filhos, frequentando boates barra pesada, esnobando roupas e bebidas caras em noitadas, viajando com malandros, enquanto as crianças se vestem mal, nunca saem pra passear e, ainda, foram tiradas da academia e do Inglês e vivem enclausurados em casa a semana inteira.
Assim como no primeiro caso, esta também enveredou pela seara judicial na tentativa de me prejudicar. Enquanto a primeira moveu 16 processos contra mim, todos – sem exceção – arquivados por falta de consistência, a segunda, seguindo o exemplo, já está no sexto processo. Não me causaram outros males, de fato, a não ser enormes prejuízos com honorários de advogados e muita chateação, além do pior: nos dois casos, tiraram de mim à fórceps, o convívio cotidiano dos meus filhos, que era o maior valor da minha vida!
Eu dava banho desde que nasciam, fazia dormir, contava histórias, levava pra passear no parque e no mato, levava pro colégio, fazia tarefa, fazia sopa e miojo, contava piadinha, ensinava a andar de bicicleta, soltar pipa, rodar pião, fazer palavra cruzada, tudo do jeito que eles gostavam. Mas tiraram isso de mim e deles...
Ter esse vínculo rompido foi o que mais doeu. Me deixou amputado! Me mutilou a alma!
Agora, pense bem, se você passou apenas pelo fim de um relacionamento, no qual o sofrimento se resume à perda afetiva, assim como à quebra da rotina habitual da vida a dois, o aconchego e a estrutura de família, preservando a racionalidade e o respeito ao outro, menos mal.


quinta-feira, 12 de março de 2015

Tiago, o nome do meu filho

TIAGO significa aquele que suplanta. Aquele que vence e que supera os obstáculos. Sua generosidade faz com que seja uma daquelas pessoas com quem sempre se pode contar. Gosta de ser correto em tudo o que faz, sente prazer em ser útil e tem sempre uma solução para todos os problemas.

A escolha do nome não foi por acaso:
Em 2001 eu fiz o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Não fui motivado por nenhuma razão religiosa ou mística quando decidi fazer aquela aventura radical, caminhando 830 km a pé! Mesmo assim, durante a longa jornada, aos poucos eu fui sendo tomado por um sentimento de veneração e de intimidade em relação ao Apóstolo Tiago, precursor e padroeiro daquela peregrinação.

Por isso, decidi que se um dia eu viesse a ter um filho, ele se chamaria Tiago, para homenagear esse personagem que, desde então, tornara-se meu "amigo" (segundo a lenda, quem faz o Caminho de Santiago, torna-se amigo do Apóstolo), e cuja presença eu sentia o tempo todo, ao longo daquelas trilhas rústicas infinitas e solitárias. Sem contar que se trata de uma figura  bíblica de enorme importância para a crença cristã.

Assim, em 12 de março de 2006, eu cumpri meu trato com meu amigo, Apóstolo Tiago Peregrino de Compostela e batizei o meu TIAGO PEREIRA CAETANO DE ALMEIDA.
  
Origens do nome Tiago
Trata-se de um nome de origem bíblica proveniente da época de Jesus Cristo, comum na região da Galileia. 
Antes, porém, em Gênesis-25, registra-se a história de Jacó, que tem a mesma origem etimológica, conforme veremos.
Foneticamente o nome sofreu mutações e adaptações ao longo dos séculos devido às variações de pronúncia de cada um dos diversos idiomas aos quais veio sendo incorporado, além de sofrer fusões e transformações naturais da linguagem.

O nome original, proveniente do Aramaico, era YA'AKOV. Entre os apóstolos de Cristo haviam dois Xarás com esse nome: Tiago Maior e Tiago Menor. E, segundo algumas escrituras apócrifas, Tiago Menor teria sido irmão de Jesus Cristo.

Com a influência do domínio Romano na região de Jerusalém e a adoção do nome por latinos, este passou ser pronunciado como IACOBUS e, em decorrência de variações regionais e do latim vulgar, chegou-se a novas derivações, como  JACOB e IAGO.
Outras misturas linguísticas e culturais ocorridas na Europa após a o desmembramento do Império Romano, levaram a novas variantes, tais como IJAGO, JAGO, JAGÓ e finalmente, à época da consolidação do Velho Testamento da Bíblia, JACÓ, referido em Gênesis-25.
Esta última derivação fonética consolidou-se na Europa medieval, sendo adotada nas línguas célticas e bretãs, resultando na forma atual do nome em Francês, que é JACQUES, e também em Inglês, que é JAMES.

Outra derivação teria evoluído de IACO para IACOM e, por último, IACOMO, JACOBO e IAGOque são algumas das variações atuais em Italiano.

As incorporações a outras línguas ainda geraram diversas variações que produziram nomes aparentemente distintos, mas que têm a mesma origem, tais como Jaime, Diego, Jacob, dentre outras.


O nome Tiago que chegou ao Português moderno

origem do nome Tiago, que chega às línguas latinas e, por fim, ao Português atual, vem de IAGO, sendo que o aparecimento da letra “T” teve razões um tanto quanto inusitadas.

A derivação do Latim, IAGO, se consolidou na Península Ibérica na idade média, sendo que, originalmente referia-se ao  personagem bíblico SAINT IAGO (Santo Iago). Porém, na língua Castelhana (Atual Espanhol), o título de Santo é simplesmente San (e não Saint). Assim, embora a pronúncia em castelhano permanecesse praticamente a mesma do Latim, mudou-se a forma de escrever, em respeito à etimologia da língua Castelhana. Ou seja, Saint Iago (em Latim) virou San Tiago (em Castelhano).
Dessa forma, a letra "T" , que antes fazia parte da palavra SainT, foi incorporada ao nome TIAGO, num processo denominado aglutinação fonética etimológica.

Assim, o nome original do Latim, Saint IAGOpassou a ser escrito San TIAGO ou Santiago em Espanhol, vindo a ser adotado em Português como SÃO TIAGO, destacando este nome tão bonito e tão cheio de histórias, que é TIAGO, o nome do meu filho.