sábado, 12 de dezembro de 2015

Meus amigos de infância

Quando meus amigos atuais falam das suas lembranças de infância, eu costumo ficar ouvindo, curioso, sobre como eles tinham amiguinhos interessantes, e como curtiram brincadeiras divertidas nas escolinhas infantis, nos parquinhos, às vezes em viagens fabulosas, matinês de cinema, etc.
Na verdade, eu nunca contei muita coisa, não por não ter tido amigos de infância, tampouco por não ter o que contar; mas porque os amigos da minha infância eram tão diferentes que poderiam não ser interessantes. Também porque as minhas aventuras e os meus cenários poderiam não ter a menor graça, diante de tanta coisa legal que se conta.

Porém, essa imagem publicada no Jornal AfricaNews, da Suécia, me remeteu à minha infância e me trouxe lembranças muito nítidas dos amigos que eu tive, das nossas brincadeiras e das nossas aventuras nos córregos, brejos e capoeiras. Por isso, achei que valeria a pena comentar aqui.
Meus amigos eram muito parecidos com estes da foto. As roupas e o estilo eram iguais, inclusive essa expressão meio encabulada, normal quando chegava gente da cidade na casa do meu pai. E a maioria deles eram pretinhos assim, como o Donizete e o Tuca, filhos do Joaquim Moema, o seu primo, filho do Binaia, cujo nome eu não me lembro, mas que era a cara desse garoto da direita. Tinha também o Tõe e o Dorvalino do Grigório, além do Geraldin e o Donizete, filhos da Nega Julieta, estes dois últimos não eram tão pretinhos, mas de pele bem escura, meio rosada.
Porém, havia também alguns branquinhos, como o Édi e o Zéti, filhos do Rubens, o Nenén e o João, filhos da Narcisa. Estes eram tão brancos que a gente costumava implicar com eles, chamando de Branquelos Desbotados, Zói Azedo e Coalhada Azeda.
Foram muitos amigos, com os quais eu vivi aventuras inesquecíveis e dos quais eu tenho saudade! Brincávamos de boizinhos de barro e de jatobá, competição de jogar Juá, pescaria de Bagre e Cambeba nos brejos e muitas outras farras que já nem existem mais. A Fazenda Barreiro, na região de Carmo do Paranaíba - MG, era o cenário de tantos mistérios, aventuras e histórias inacreditáveis que, se fossem detalhadas, daria pra escrever um livro.
Meus amigos eram filhos de parceiros agrícolas do meu pai, que residiam e trabalhavam na fazenda, como meeiros. Essa meninada toda, além dos primos que vinham de fazendas vizinhas, se juntavam nos fins de semana e minha mãe tinha paciência e carinho pra todos, Nunca vi tanta paciência e tanto carinho.


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