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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Jardim vazio

O que houve aqui depois que o sol se pôs?
E que deixou o seu jardim tão vazio?

Aqui havia um jardineiro que cuidava tão bem.
Molhava a terra com suas lágrimas
E fazia nascer flores
E sonhos!

E agora acabou tudo!...
Eu chamei!
Bati na porta o dia inteiro, mas ninguém abriu.
- Hei, meninos! Vem, vamos brincar no seu jardim vazio?

Como é que um mero inseto pôde causar tanto estrago?
E agora? Pra que serve este jardim vazio, se nada cresce mais
Estou surpreso, impotente e estonteado!
Onde foi parar o jardineiro
Que molhava a terra com suas lágrimas
E fazia nascer flores
E fantasias?

Ele dizia:
"As raízes são fortes e não morrem!"
Então, vamos gritar! Quem sabe ele ouve!
O jardineiro que cuidava tão bem
E molhava o chão com suas lágrimas.

Ou só nos restará rezar para que a chuva caia
E em cada gota que cair, vão ouvir a sua voz.
- Hei, meninos! Vem, vamos brincar no seu jardim vazio?
E, assim, quem sabe voltará a nascer flores
E esperança...
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                            (Inspirado em Empty Garden, de Elton John)

quinta-feira, 12 de março de 2015

Tiago, o nome do meu filho


TIAGO
 significa aquele que suplanta. Aquele que vence e que supera os obstáculos. Sua generosidade faz com que seja uma daquelas pessoas com quem sempre se pode contar. Gosta de ser correto em tudo o que faz, sente prazer em ser útil e tem sempre uma solução para todos os problemas.

A escolha do nome não foi por acaso:
Em 2001 eu fiz o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Não fui motivado por nenhuma razão religiosa ou mística quando decidi fazer aquela aventura radical, caminhando 830 km a pé! Mesmo assim, durante a longa jornada, aos poucos eu fui sendo tomado por um sentimento de veneração e de intimidade em relação ao Apóstolo Tiago, precursor e padroeiro daquela peregrinação.

Por isso, decidi que se um dia eu viesse a ter um filho, ele se chamaria Tiago, para homenagear esse personagem que, desde então, tornara-se meu "amigo" (segundo a lenda, quem faz o Caminho de Santiago, torna-se amigo do Apóstolo), e cuja presença eu sentia o tempo todo, ao longo daquelas trilhas rústicas infinitas e solitárias. Sem contar que se trata de uma figura  bíblica de enorme importância para a crença cristã.

Assim, em 12 de março de 2006, eu cumpri meu trato com meu amigo, Apóstolo Tiago Peregrino de Compostela e batizei o meu TIAGO PEREIRA CAETANO DE ALMEIDA.
  












Origens do nome Tiago
Trata-se de um nome de origem bíblica proveniente da época de Jesus Cristo, comum na região da Galileia. 

Antes, porém, em Gênesis-25, registra-se a história de Jacó, que tem a mesma origem etimológica, conforme veremos.
Foneticamente o nome sofreu mutações e adaptações ao longo dos séculos devido às variações de pronúncia de cada um dos diversos idiomas aos quais veio sendo incorporado, além de sofrer fusões e transformações naturais da linguagem.

O nome original, proveniente do Aramaico, era YA'AKOV. Entre os apóstolos de Cristo haviam dois Xarás com esse nome: Tiago Maior e Tiago Menor. E, segundo algumas escrituras apócrifas, Tiago Menor teria sido irmão de Jesus Cristo.

Com a influência do domínio Romano na região de Jerusalém e a adoção do nome por latinos, este passou ser pronunciado como IACOBUS e, em decorrência de variações regionais e do latim vulgar, chegou-se a novas derivações, como  JACOB e IAGO.

Outras misturas linguísticas e culturais ocorridas na Europa após a o desmembramento do Império Romano, levaram a novas variantes, tais como IJAGO, JAGO, JAGÓ e finalmente, à época da consolidação do Velho Testamento da Bíblia, JACÓ, referido em Gênesis-25.

Esta última derivação fonética consolidou-se na Europa medieval, sendo adotada nas línguas célticas e bretãs, resultando na forma atual do nome em Francês, que é JACQUES, e também em Inglês, que é JAMES.

Outra derivação teria evoluído de IACO para IACOM e, por último, IACOMO, JACOBO e IAGO, que são algumas das variações atuais em Italiano.

As incorporações a outras línguas ainda geraram diversas variações que produziram nomes aparentemente distintos, mas que têm a mesma origem, tais como Jaime, Diego, Jacob, dentre outras.


O nome Tiago que chegou ao Português moderno

A origem do nome Tiago, que chega às línguas latinas e, por fim, ao Português atual, vem de IAGO, sendo que o aparecimento da letra “T” teve razões um tanto quanto inusitadas.

A derivação do Latim, IAGO, se consolidou na Península Ibérica na idade média, sendo que, originalmente referia-se ao  personagem bíblico SAINT IAGO (Santo Iago). Porém, na língua Castelhana (Espanhol), o título de Santo é simplesmente San (e não Saint). Assim, embora a pronúncia em castelhano permanecesse praticamente a mesma do Latim, mudou-se a forma de escrever, em respeito à etimologia da língua Castelhana. Ou seja, Saint Iago (em Latim) virou San Tiago (em Castelhano).

Dessa forma, a letra "T" , que antes fazia parte da palavra SainT, foi incorporada ao nome TIAGO, num processo denominado aglutinação fonética etimológica.

Assim, o nome original do Latim, Saint IAGO, passou a ser escrito San TIAGO ou Santiago em Espanhol, vindo a ser adotado em Português como SÃO TIAGO, destacando este nome tão bonito e tão cheio de histórias, que é TIAGO, o nome do meu filho.

sábado, 15 de março de 2014

Beija Flor Azul

Beija Flor azul que canta, me chama...
Me empresta suas asas, me ajuda a entender
Quero te amar, quero ainda ser
Eu sempre sonhei te olhar, te olhar...
Te levar a voar!

Beija Flor azul que chora, me ama...
Me empresta seus olhos, me ensina a sorrir
Quero olhar, te sentir
Eu nunca pensei me afastar desse olhar
Tampouco chorar!

Beija Flor azul, vamos por aí!
Te dou uma flor, te faço um carinho
Te levo no colo, preparo o seu ninho. 
Eu não sei o caminho! Venha me mostrar
Me deixe te olhar!

Pergunto aos meus olhos! Que tristeza sem hora?
Oh, sentença dura, você ter que ir embora!
Mas aprendo de novo, custe o que custar
A ser engraçado pra te alegrar

Beija Flor azul, me deixa voar
No céu colorido que você me dá.
A hora é agora, mas não quero ir.
Eu sei, tá na hora, mas não sei te deixar!
Então só me olhe, não saia daqui...

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Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, MBA em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Informática, Especialista em Direito Administrativo Disciplinar, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, Diplomado da Escola Superior de Guerra, M∴M∴, Escritor, Músico Amador, Meio-Maratonista, pesquisador autodidata em Nutrologia e Nutrição Esportiva, História e Sociologia.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Quero meu Carmo de volta.

Crônica de Geraldo Eustáquio Magela,
em homenagem à cidade de
Carmo do Paranaíba, MG.

"Quero de volta os meus fantasmas: a mulher de 7 metros, a luzinha do cemitério, os enterros que pela minha porta passavam, me deixando sem dormir. Quero meu medo de volta, Passar para a cama da mãe altas horas, sem acordar o pai. Quero pescar piabas no límpido Corgo do Morro do Cemitério. 

Busco na memória imagens perdidas! Onde estão as gabirobas atrás do cemitério? As mangabas, onde estão? A Fazenda do Faquinha? O poço do Nenen do Salate? As pitangas da Praça do Rosário? O truco na casa do Toin Pavão com o meu parceiro Lôro? O Pirulito da Avenida, que a gente driblava em dias de jogo? A fanfarra do Estadual, com o Carneiro nervoso quando o Tiprijim tocava Lovanda Maria na corneta? Cadê a Churrascaria Montilla, da Dona Graciana, onde ensaiávamos os primeiros namoros e decepções. 

Quero de volta o ônibus do Expresso de Luxo trazendo “os caras” de Patos prá gente bater. Ai, que saudade das brigas (não tinha intrigas, só brigas!). Que o Hélio Mendes consiga bater no Amador Bomtempo. Que o Seu Celso Resende dê o Miura pro Plinin parar de chorar. Que a gente possa arrumar uma namorada pro Zezé do Zoró. Que alguém dê uma surra no Batata! Que o time do Barão ganhe da Avenida no sábado e do Niterói no domingo. 

Que a Abadia do Bilú inicie outros tantos Que o Paranaíba ganhe do Araxá e a Dona Zulmira do Pizadura dê uma ”sombrinhada” na cabeça do Juiz. Que eu tire pelo menos um “6” na prova de matemática com o Zé Hugo. Que o Belchior dê uma aula sem ressaca e o Bode (Lázaro Carneiro) não durma na sala. Que eu tire zero na prova de música da Dona Conceição Boaventura só para ser solidário com o Armando do Vevêu. Que eu grite bem alto “João Pau de Bosta” no recreio sem ser expulso. 

Quero beber para afogar as mágoas no Bar do Bechó e fazer serenata pras namoradas dos outros e pra Bolinha. Quero beber cerveja gelada no Boca do Lobo. 

Ah, os festivais!!! Evandro Fontes, Óh, Mio Signore!... Acompanhar o Zé Maria Boca de cantor e a Cecília cantando Anõs, perseguir o Zé Gaspar, o Punga e outros desafinados... Ah, Festivais! Não quero mais!

Que o Humberto Veloso não capote o jipe na Serrinha. Quero ouvir o Anicésio gritar “Zoró Puriiinho!!!!” Eu também quero comprar votos na Lagoinha. Que os Solitários toquem uma música sem o Hélio jogar o prato da bateria na cabeça do Puccini, que o Olavinho não desafine, que o sax do Carlos não guinche, que o Serjão esqueça de casar e que eu possa ler meu gibí em paz. 

Quero assistir um ensaio dos The Gorilas na casa do seu Álvaro, ouvir quem sabe o Dalton solar "O Milionário" ou uma música do The Venture. Quero sentar na Pigalle com a Nonôra e a Vera Resende, e escrever versos sem rimas. 

Quero tocar na Missa do Galo com o Frei Venâncio, depois de tomar “todas” na Casa Paroquial tirando gosto com aparas de hóstia! Sentar na Adega com a Zezé da Gráfica, Dr. Caio, Tião do Debrão e ouvir o violão do Carneirinho. Quero ouvir o Mário Moreira na Integração, o Nestor narrando um Paranaíba X Bela Vista, e que o Paulinho do Miguilinho faça um gol! Pra quem? Adivinhe!!!! 

Quero jogar sinuca com o Canhoto e o Direito e ganhar dos dois sem preconceitos! Quero ouvir o Elisiário cantando na rodoviária por uma pratinha na latinha. Quero ir ao Fórum ver o Dr. Barcelos enfrentar o Dr. Antônio Fubá sob o olhar do Dr Luiz Terra. Quero tirar uma certidão de nascimento com o Bié Cardoso pra provar que sou de lá. 

Quero ir à hora dançante no Clube Social prá ver o Lado do “Amerco” brigar com o Serraria. Quero carnaval no Bar do Flávio, ao meio dia! Que folia!!! 

Quero ver minha Santa Cruz desaprisionada da colônia penal. Que pecado capital! Quero cortar o cabelo no João Barbeiro para ouvi-lo dizer que o João Carvalho vai candidatar de novo. Quero ouvir o riso fácil da Branca da Daura ao descer da escola. Falar pro Zé Maria Ferreira “a prova é do professor Aramízio! Prá que cola?” 

Quero aprender datilografia na Escola da Dona Fia. Quero ir pro Pé de Estribo pegar o ônibus pros Quintinos. Quero ir pra Cachoeirinha no sábado pra ver o Evandro Fontes capotar o carro. No domingo pro Soares nadar na água fria e pegar uma piniqueira na lagoa que o margeia. 

Quero fazer Admissão com a Dona Maria do Max, comprar pão na Padaria da Nenzinha, feito pelo Miguel Padeiro. Ir na casa do Mário do Nenem do Moleque, que não se chama Mário, e sim, Ademar, nome pelo qual ele não atende, e tomar o café da Maria. 

Quero as chaves do João Carcereiro prá soltar minhas lembranças: Cadê o Candinho, os Negos da Nazaré, o Luiz do Lelete, o Lázaro Guimarães, o Vandinho Gorila, o Vitinho, o Ratinho, o Preto, o Cambeba, o Ivan, o Bizôrro, o Mário Caetano, o Bigôrra, o Zé Baia, o Zé Cabelo, o Zé Piriquito, o Zé Paraná, e tantos outros Zés. 

E onde estão aqueles apressadinhos que não esperaram por nós: Aprígio, Cochila, Lelete, Ivete, Lilico, Carlos do Prego e tantos outros, que nesse momento devem estar fazendo uma zona no céu, tomando cuba libre e cuspindo no chão. 

Enfim, eu quero meus fantasmas de volta, mas Deus me livre das almas penadas e das assombrações descritas pelo meu pai." 

[Geraldo Eustáquio Magela é radialista e músico (cantor e instrumentista), membro da banda "Os Asteróides", da Cidade de Patos de Minas].