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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Minha primeira vez em Parnaíba


Depois de viajar a tarde inteira de ônibus, saindo de Teresina, desembarquei em Parnaíba no início de uma promissora noite de sexta feira, tremendo de nervoso pela expectativa de ter que me apresentar para familiares dela, mas quando desci, cadê ela? Rodei pra lá e pra cá desesperado, tentando ligar, mas o celular dela estava fora de área!
Os primeiros minutos foram terríveis, mas as horas que se sucederam foram de matar! Com vontade de sumir, aterrorizado pela iminência de ter feito uma baita viagem frustrada e, enfim, ter embarcado numa canoa furada, consultei o horário do próximo ônibus de volta para Teresina, que só saía na manhã seguinte.
Cerca de três horas depois ela chega, não menos desesperada do que eu, explicando que, quando se preparava para sair do Hospital onde trabalhava, no Ceará, a cerca de 80 km de Parnaíba, deu entrada uma senhora em coma, infartada!  
Não havia nenhum médico presente e a única ambulância do Hospital não estava disponível. Sem conseguir encontrar os médicos e negociando para que o Hospital de Sobral mandasse uma ambulância e médico, ela não teve como sair e nem fazer contato, pois o celular não funcionava dentro do Hospital.
Tudo esclarecido, fomos para uma pizzaria e depois para um dos fins de semana mais inesquecíveis da minha vida, quando ela me levou pra conhecer alguns dos belos resorts do magnífico litoral do Piauí!

Leia também: Gramado, dois anos depois.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Jardim vazio

O que houve aqui depois que o sol se pôs?
E que deixou o seu jardim tão vazio?

Aqui havia um jardineiro que cuidava tão bem.
Molhava a terra com suas lágrimas
E fazia nascer flores
E sonhos!

E agora acabou tudo!...
Eu chamei!
Bati na porta o dia inteiro, mas ninguém abriu.
- Hei, meninos! Vem, vamos brincar no seu jardim vazio?

Como é que um mero inseto pôde causar tanto estrago?
E agora? Pra que serve este jardim vazio, se nada cresce mais
Estou surpreso, impotente e estonteado!
Onde foi parar o jardineiro
Que molhava a terra com suas lágrimas
E fazia nascer flores
E fantasias?

Ele dizia:
"As raízes são fortes e não morrem!"
Então, vamos gritar! Quem sabe ele ouve!
O jardineiro que cuidava tão bem
E molhava o chão com suas lágrimas.

Ou só nos restará rezar para que a chuva caia
E em cada gota que cair, vão ouvir a sua voz.
- Hei, meninos! Vem, vamos brincar no seu jardim vazio?
E, assim, quem sabe voltará a nascer flores
E esperança...
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                            (Inspirado em Empty Garden, de Elton John)

quinta-feira, 12 de março de 2015

Tiago, o nome do meu filho


TIAGO
 significa aquele que suplanta. Aquele que vence e que supera os obstáculos. Sua generosidade faz com que seja uma daquelas pessoas com quem sempre se pode contar. Gosta de ser correto em tudo o que faz, sente prazer em ser útil e tem sempre uma solução para todos os problemas.

A escolha do nome não foi por acaso:
Em 2001 eu fiz o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Não fui motivado por nenhuma razão religiosa ou mística quando decidi fazer aquela aventura radical, caminhando 830 km a pé! Mesmo assim, durante a longa jornada, aos poucos eu fui sendo tomado por um sentimento de veneração e de intimidade em relação ao Apóstolo Tiago, precursor e padroeiro daquela peregrinação.

Por isso, decidi que se um dia eu viesse a ter um filho, ele se chamaria Tiago, para homenagear esse personagem que, desde então, tornara-se meu "amigo" (segundo a lenda, quem faz o Caminho de Santiago, torna-se amigo do Apóstolo), e cuja presença eu sentia o tempo todo, ao longo daquelas trilhas rústicas infinitas e solitárias. Sem contar que se trata de uma figura  bíblica de enorme importância para a crença cristã.

Assim, em 12 de março de 2006, eu cumpri meu trato com meu amigo, Apóstolo Tiago Peregrino de Compostela e batizei o meu TIAGO PEREIRA CAETANO DE ALMEIDA.
  












Origens do nome Tiago
Trata-se de um nome de origem bíblica proveniente da época de Jesus Cristo, comum na região da Galileia. 

Antes, porém, em Gênesis-25, registra-se a história de Jacó, que tem a mesma origem etimológica, conforme veremos.
Foneticamente o nome sofreu mutações e adaptações ao longo dos séculos devido às variações de pronúncia de cada um dos diversos idiomas aos quais veio sendo incorporado, além de sofrer fusões e transformações naturais da linguagem.

O nome original, proveniente do Aramaico, era YA'AKOV. Entre os apóstolos de Cristo haviam dois Xarás com esse nome: Tiago Maior e Tiago Menor. E, segundo algumas escrituras apócrifas, Tiago Menor teria sido irmão de Jesus Cristo.

Com a influência do domínio Romano na região de Jerusalém e a adoção do nome por latinos, este passou ser pronunciado como IACOBUS e, em decorrência de variações regionais e do latim vulgar, chegou-se a novas derivações, como  JACOB e IAGO.

Outras misturas linguísticas e culturais ocorridas na Europa após a o desmembramento do Império Romano, levaram a novas variantes, tais como IJAGO, JAGO, JAGÓ e finalmente, à época da consolidação do Velho Testamento da Bíblia, JACÓ, referido em Gênesis-25.

Esta última derivação fonética consolidou-se na Europa medieval, sendo adotada nas línguas célticas e bretãs, resultando na forma atual do nome em Francês, que é JACQUES, e também em Inglês, que é JAMES.

Outra derivação teria evoluído de IACO para IACOM e, por último, IACOMO, JACOBO e IAGO, que são algumas das variações atuais em Italiano.

As incorporações a outras línguas ainda geraram diversas variações que produziram nomes aparentemente distintos, mas que têm a mesma origem, tais como Jaime, Diego, Jacob, dentre outras.


O nome Tiago que chegou ao Português moderno

A origem do nome Tiago, que chega às línguas latinas e, por fim, ao Português atual, vem de IAGO, sendo que o aparecimento da letra “T” teve razões um tanto quanto inusitadas.

A derivação do Latim, IAGO, se consolidou na Península Ibérica na idade média, sendo que, originalmente referia-se ao  personagem bíblico SAINT IAGO (Santo Iago). Porém, na língua Castelhana (Espanhol), o título de Santo é simplesmente San (e não Saint). Assim, embora a pronúncia em castelhano permanecesse praticamente a mesma do Latim, mudou-se a forma de escrever, em respeito à etimologia da língua Castelhana. Ou seja, Saint Iago (em Latim) virou San Tiago (em Castelhano).

Dessa forma, a letra "T" , que antes fazia parte da palavra SainT, foi incorporada ao nome TIAGO, num processo denominado aglutinação fonética etimológica.

Assim, o nome original do Latim, Saint IAGO, passou a ser escrito San TIAGO ou Santiago em Espanhol, vindo a ser adotado em Português como SÃO TIAGO, destacando este nome tão bonito e tão cheio de histórias, que é TIAGO, o nome do meu filho.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Em Gramado um ano depois

Ela surgiu na minha vida assim, como quem aparece do nada, como fazem os anjos e as fadas!

A imagem do seu rostinho aparecendo como amiga no Facebook de um colega do meu trabalho, por algumas vezes já havia me despertado a curiosidade. Não tanto pelo conteúdo do seu próprio perfil, quase inativo, com raras postagens falando de cachorrinhos, flores e algumas viagens, mas, sobretudo, pela expressão de doçura e aquele sorriso enigmático revelados nas suas poucas fotos, contrastando com uma elegante postura aristocrática e discreta.

Temendo ser inconveniente, arrisquei pedir que ela me adicionasse como amigo e esperei! Esperei até desistir!... E nada!

Cerca de três ou quatro meses depois, me surpreendi com várias curtidas nas minhas postagens, mostrando que ela não só havia resolvido aceitar, mas também conferiu quem era!

Com todo o respeito que ela me inspirava, tratei logo de agradecer, deixando claro que eu não ousava mais que simples amizade virtual. E, nas poucas mensagens trocadas, as suas respostas objetivas e excessivamente econômicas nas palavras, não conseguiram disfarçar a sua inteligência e o jeitinho sóbrio, gentil, didático, enfim, encantador!

Mas alguns dias depois, ela sumiu de novo!

O tempo passou! Várias semanas, meses talvez!... E durante uma viagem que fiz à Europa, ela voltou a dar sinal de vida. Me desejou boa viagem e que eu aproveitasse o passeio, comentando que adorava Paris e que havia morado e estudado em Londres.

Assim que voltei, ainda mais curioso, retomamos um contato tímido, quando eu comecei a perceber o quanto ela era maravilhosa, descobrindo a cada dia mais belezas, doçura e tantos outros atributos que me encantavam.

Depois de algum tempo, passamos a nos falar por telefone com alguma frequência e, aos poucos, uma confiança mútua começou a existir entre nós, fazendo com que aquela amizade evoluísse na forma de um sentimento cada vez mais consolidado pela cumplicidade, pela confiança e pela admiração que nos unia, apesar da distância que nos separava e tornava quase impossível que algum dia a gente viesse a se conhecer pessoalmente.

Mas, por obra do destino, as minhas férias de janeiro de 2014 que, até então, estavam fadadas ao ostracismo, foram contempladas com uma inusitada e imperdível promoção de viagem para Porto Alegre, permitindo coincidir esse destino com uma viagem dela, programada há tempos para assistir à formatura de uma amiga.

Assim, no dia 10 de janeiro de 2014, no aeroporto de Porto Alegre, pela primeira vez na vida eu pude sentir o toque e o cheiro inebriante de sua pele! E naquele momento, trêmulo, dominados pela ansiedade e pelo nervosismo, nenhum de nós pode evitar um longo e emocionado abraço, do qual minha alma nunca mais se desgarrou.


Depois de algumas horas perambulando juntos pela cidade, caminhando sem rumo, tomando sorvete sentados no meio fio da praça e depois de muitas risadas sem motivo e sem razão, eu descobri que tudo havia mudado na minha vida! Inclusive os planos de ficar apenas quatro dias em Porto Alegre, que se transformaram numa aventura sem compromisso, sem hora nem dia pra acabar e sem destino programado!

Tanto que no dia seguinte almoçávamos em Gramado, na Serra Gaúcha, onde tudo começou de fato. Dois dias depois estávamos em Buenos Aires andando pelas ruas, nos divertindo e nos conhecendo.

Sem nenhuma programação prévia, comemoramos juntos o aniversário dela, que começou com um almoço no centro histórico da cidade, com um Champagne Rosé oferecido pelo restaurante, indo terminar quase ao amanhecer do dia seguinte, numa boate em Recoleta!

Depois dessa viagem o meu acervo de lembranças e saudades nunca mais voltaria a ser como antes! A partir daí, vivemos um ano separados por quase dois mil quilômetros, nos encontrando a cada três ou quatro semanas. Mas, durante todo esse tempo, o meu pensamento permaneceu fixo num só foco! Ela!


Enquanto ela mantinha o seu trabalho como Gerente de Enfermagem num Hospital a 80 km de sua cidade, eu continuava em Brasília conciliando o trabalho, a saudade e um planejamento mágico que, nem sei como, possibilitava a gente se ver periodicamente. Ainda que para isso eu tivesse que me inscrever em corridas de rua de 10 km ou  Meias Maratonas, ora no Rio de Janeiro, ora em Fortaleza. Ainda que ambos tivéssemos que virar a noite no percurso de ida e volta de ônibus entre Teresina e Parnaíba ou entre Fortaleza e Chaval, apenas para passarmos dois dias juntos e depois voltar!

Pode até parecer que foram dias difíceis. Mas não! Nos desdobramos, enfrentamos trancos e barrancos, mas tudo valeu muito a pena e fez história, como na primeira vez que fui a Parnaíba e ela não apareceu pra me pegar na rodoviária (Leia aqui: Minha primeira vez em Parnaíba)!

Foram vários episódios que provocaram ansiedades, preocupações e inseguranças momentâneas, mas que hoje são motivo de riso.

Por isso, ao completar um ano de quando tudo começou, voltamos novamente a Gramado para celebrar e renovar tudo o que for possível ser renovado e, também, pra pedir a Deus que nos permita muitos e muitos anos juntos pra que eu possa retribuir um pouco de tudo o que ela significa pra mim.

Te amo, minha princesa! Quero viver com você pra sempre!